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35ª Schützenfest | November 5, 2025 | Atualizado em: 05/11/25 ás 20:01

A história da banda alemã que nasceu há 35 anos por causa da Schützenfest de Jaraguá

A história da banda alemã que nasceu há 35 anos por causa da Schützenfest de Jaraguá

A banda alemã Original Markgräfler Blaskapelle, formada em 1990 para a Schützenfest de Jaraguá do Sul, segue ativa em turnês internacionais. Foto: Site oficial

A trajetória da banda alemã Original Markgräfler Blaskapelle (OMB) começou com uma visita despretensiosa ao Brasil e se transformou em uma história de amizade, música e intercâmbio cultural que perdura até hoje, conforme informações do site oficial da OMB.

Formada em 1990 com um propósito específico – se apresentar na Schützenfest de Jaraguá do Sul – a OMB conquistou o coração dos catarinenses e manteve uma conexão viva com o país ao longo de mais de três décadas.

O convite inesperado que ligou a Schützenfest à música alemã

Em janeiro de 1990, o maestro Edmund Jordan, natural de Steinenstadt, na Alemanha, viajou ao Brasil acompanhado da banda Öschmusik, da cidade de Löffingen, para uma apresentação no Festival Pomerano, realizado em Pomerode, no Vale Europeu de Santa Catarina.

Durante sua estadia, Jordan e sua esposa, Christel, foram acolhidos na residência do então prefeito da cidade, Eugênio Zimmer.

Foi nessa ocasião que o destino da música alemã no Brasil ganhou novos contornos. O prefeito Zimmer recebeu a visita de Ademar Duwe, vice-prefeito de Jaraguá do Sul e um dos principais idealizadores da Schützenfest, festa tradicional que celebra as raízes germânicas da região.

Durante a conversa entre os anfitriões e Edmund Jordan, surgiu um detalhe revelador: Jordan também era maestro. Ao saber disso, Duwe não hesitou. Pediu que o maestro viesse ao Brasil para se apresentar na Schützenfest de outubro de 1990, em Jaraguá do Sul.

Ademar Duwe Foto: Arquivo JDV

Apesar do entusiasmo, Edmund inicialmente respondeu que não estava regendo nenhuma banda no momento e, portanto, não teria como aceitar o convite. Mas a insistência de Duwe foi decisiva.

Convencido, o maestro aceitou o desafio – e ainda naquela noite sugeriu o nome: Original Markgräfler Blaskapelle, que faz referência à região de Markgräflerland, no sul da Alemanha.

A criação da OMB: nove meses para formar a banda da Schützenfest

Começava ali uma nova missão: montar uma banda do zero. Jordan iniciou uma verdadeira maratona de telefonemas e convites. Muitos músicos aceitaram, outros desistiram ao longo do caminho. Foram nove meses de intensa preparação, que o próprio maestro comparou ao tempo de uma gestação.

Em 6 de outubro de 1990, às 14h30, um ônibus partia com 28 músicos e seis acompanhantes rumo a Frankfurt, de onde embarcariam para o Brasil. Poucos acreditavam que a banda seguiria existindo após aquela viagem. No entanto, o que era para ser uma apresentação pontual se transformou em um projeto duradouro e cheio de significados.

De Jaraguá do Sul para o mundo: a expansão da banda Original Markgräfler Blaskapelle

A banda OMB não só sobreviveu, como floresceu. Com quase 20 anos de estrada à época do relato, a banda já havia realizado seis turnês musicais pelo Brasil, além de viagens à Turquia, Áustria, Suíça e região da Alsácia. No repertório, predominam os metais ao estilo Egerländer, com forte influência da música folclórica alemã.

A missão da OMB vai além da técnica musical. Segundo seus integrantes, o maior valor está na amizade, na camaradagem e no poder de união da música. Ao longo do tempo, muitos laços se estreitaram, casamentos entre brasileiros e alemães aconteceram e a conexão cultural se fortaleceu.

A sexta turnê musical da banda alemã pelo Brasil

Em 2008, a banda realizou sua sexta turnê brasileira, passando por diversas cidades de forte colonização alemã. Sob regência de Uwe Jordan, filho de Edmund e maestro desde 2002, o grupo formado por 24 músicos e 14 acompanhantes percorreu o país entre os dias 8 de novembro e 2 de dezembro, num roteiro com mais de 30 mil quilômetros de voos e centenas de quilômetros em ônibus.

As apresentações ocorreram em locais como Dois Irmãos, Estrela, Camboriú, Jaraguá do Sul, São Bento do Sul, Blumenau, Belo Horizonte, Sete Lagoas, Vitória, Ouro Preto e Domingos Martins. Os concertos atraíram grande atenção da mídia local, com destaque em jornais, rádios e emissoras de televisão.

Tradição, hospitalidade e música que ultrapassa fronteiras

A hospitalidade brasileira foi um dos pontos altos da experiência. Em muitas cidades, os músicos ficaram hospedados nas casas de amigos e anfitriões, muitos dos quais cultivam laços de amizade com os alemães até hoje. Despedidas emocionadas e encontros calorosos marcaram cada parada da turnê.

Além dos compromissos musicais, a programação contou com visitas a pontos turísticos e culturais, como o Pão de Açúcar, o Corcovado, o estádio do Maracanã, as praias de Copacabana e Ipanema, além de zoológicos, igrejas, mosteiros e até fábricas brasileiras. O encerramento no Rio de Janeiro foi descrito como um verdadeiro sonho realizado.

Como isso impacta sua vida?

Se você vive em Jaraguá do Sul ou no Vale Europeu de Santa Catarina, essa história mostra como a Schützenfest vai muito além de ser uma festa típica; ela é uma ponte viva entre culturas. A criação da banda OMB exemplifica como eventos locais podem gerar conexões globais, fortalecer a identidade cultural e deixar um legado que ressoa até hoje. Além de enriquecer as celebrações, a presença da banda alemã reforça o papel de Jaraguá do Sul como um centro vibrante da tradição germânica no Brasil.

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