Paixão pela Schützen: a história do casal jaraguaense que vive o amor em meio à cultura alemã
Foto: arquivo pessoal
Muito além das festas e gastronomia típicas, a cultura alemã em Jaraguá do Sul faz parte real da vida de quem é daqui. E, para o casal Djhueli Rebelatto, 31, e Frankie Brian Dumke Pellis, 27, também é base para um relacionamento construído com afeto, respeito às raízes e desejo de continuidade. A rotina dos dois é marcada por detalhes que vêm das tradições que o noivo carrega desde criança e que Djhueli aprendeu a valorizar e amar.
Frankie cresceu em uma família de origem alemã, onde o idioma sempre foi falado naturalmente. Até os cinco anos, por exemplo, ele só se comunicava em alemão com os familiares. Ainda novo, começou a se envolver com festas típicas e, aos 11 anos, já ajudava em eventos da cultura germânica.
Mais tarde, passou a integrar a Banda Bavária, da própria família, onde hoje atua como técnico de som. Ele lembra com carinho do bisavô Emílio, que tocava bandoneon. “A música sempre fez parte da nossa história”, conta.
Djhueli, por sua vez, é paranaense que cresceu próxima da cultura gaúcha, e vem de uma família com raízes italianas; ela conhecia a cultura alemã mais pelas festas do que pelas vivências. A Schützenfest já chamava sua atenção, mas foi com Frankie que ela passou a se encantar de verdade.
Hoje, além de participar das tradições, está aprendendo a falar alemão com o noivo. “A paixão dele pela cultura me inspira. E quero passar isso para os nossos filhos no futuro”, diz.
De um primeiro encontro na Oktober ao altar
O começo da história dos dois foi no ambiente corporativo. Aliás, Djhueli conta que quando conheceu Frankie a primeira impressão não foi a melhor; “eu achava ele um pouco metido”, acrescenta entre risos. Eles mal conversavam até que, com o tempo e devido a circunstâncias da vida, tudo foi mudando.
Depois de algumas conversas e o clima de amizade, finalmente marcaram o primeiro encontro oficial: na Oktoberfest de 2023. “Desde aquele dia, a gente não se desgrudou mais”, relembra Djhueli.
E, em março de 2024, veio o pedido de casamento. De lá pra cá, eles passaram a morar juntos e estão organizando a cerimônia, marcada para 10 de dezembro deste 2025.

Tradição no dia a dia do casal
A casa dos dois tem sotaque, música e cheiro de comida boa. Frankie fala em alemão com a família e se envolve nos bastidores das festas. Djhueli virou fã dos sabores típicos: carne de marreco assada, batata recheada e, claro, o querido spätzel.
Para o casal, esta época de Schützenfest o amor aflora ainda mais. Não foi onde tudo começou, mas representa bem o que eles vivem: amor pelas raízes, alegria em manter tradições e vontade de compartilhar isso com quem está ao redor. A festa é quase um retrato do dia a dia que eles constroem juntos.
Eles acreditam que a cultura alemã molda o jeito de ser de quem vive em Jaraguá do Sul: organização, espírito comunitário, dedicação ao trabalho e valorização das origens. “É algo que faz parte da gente sem a gente perceber”, resumem.

O idioma também virou parte da relação. Djhueli se diverte tentando falar as palavras mais difíceis e tem uma frase favorita: “Ich liebe dich” – eu te amo. “A gente ri tentando acertar”, conta. Frankie, por outro lado, adora ver o filho aprendendo novas palavras. “Mais do que falar, é manter vivo o que a gente é.”
Entre tradições, raízes e sotaques
Além da forte conexão com a cultura alemã, os dois também compartilham o amor pelo tradicionalismo gaúcho. Djhueli tem parte da família no Rio Grande do Sul, e Frankie também já morou no estado, onde chegou a trabalhar com bandas tradicionalistas. “Temos os dois trajes em casa. Quando não é época de festa alemã, estamos nas festas gaúchas”, complementa.

Essa combinação cultural traz ainda mais riqueza ao dia a dia do casal, que vive de forma natural a mistura entre o que cada um traz da própria história. Para eles, manter essas tradições é também uma forma de celebrar quem são juntos.
Como isso impacta sua vida?
Em uma cidade onde a cultura alemã está em tudo, histórias como a de Frankie e Djhueli mostram como tradição e afeto podem andar juntos. A Schützenfest é só a ponta do iceberg de algo que se cultiva o ano inteiro: orgulho das raízes e vontade de levá-las adiante. No caso deles, com muito carinho, leveza e, claro, amor.
