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35ª Schützenfest | November 7, 2025 | Atualizado em: 07/11/25 ás 17:25

Vai de Frida na Schützen? Dicas de uma artesã para unir conforto, estilo e tradição no traje

Vai de Frida na Schützen? Dicas de uma artesã para unir conforto, estilo e tradição no traje

Fotos: Divulgação/Fridas Arteiras

Pode parecer um desafio conseguir combinar estilo e conforto com tradição na hora de montar o traje típico para a Schützenfest. Mas dá, sim, pra criar um look bonito, confortável e fiel à cultura alemã. Quem garante é Susana Berwaldt Vargas, artesã descendente de alemães que, há mais de uma década, veste realezas e festeiros em todo o estado.

À frente do ateliê Fridas Arteiras, em Joinville, Susana conhece bem o universo dos trajes típicos. Apaixonada pelo que faz – e com a Schützenfest entre suas festas favoritas – ela topou dividir com o JDV dicas certeiras para os trajes femininos: como combinar cores, escolher os tecidos ideais, adaptar o visual ao clima, e o que usar em cada momento da festa.

>> A relação de Susana com a cultura alemã é antiga e cheia de história. Natural de Joinville, ela foi rainha da Festa do Colono da Sociedade Rio da Prata aos 14 anos. A partir daí, mergulhou de vez na tradição: participou do grupo folclórico, entrou para o clube de tiro – onde permanece até hoje – e já competiu diversas vezes na Schützenfest. “Como não tenho mais idade pra participar dos concursos, brinco que me realizo hoje vestindo as candidatas”, diz.

Afinal, qual o traje ideal para as mulheres?

Pra começar, Susana explica que tudo depende da ocasião. Se é pra curtir a festa com amigos, dançar, comer e ficar até de madrugada, conforto é o principal. Aí vale usar um modelo mais curto, leve, com tecido fresco e sapato baixo.

“Mas se vai pro desfile, pra um baile ou pro concurso, aí é outra pegada: precisa respeitar mais a tradição nos detalhes”, comenta.

Ela reforça que não existe obrigatoriedade, mas sim uma questão de bom senso cultural. “No desfile, você está representando uma tradição. Então, é importante cuidar do comprimento da saia, da blusa, do tipo de colete e do calçado. Isso mostra respeito, não só estilo.”

Para quem vai com crianças ou em programas mais tranquilos, ela sugere pensar na praticidade. Por isso explica que uma saia longa pode atrapalhar pra quem precisa se abaixar ou correr atrás dos filhos. “O traje precisa acompanhar a realidade de cada pessoa”, complementa.

Cores certas para cada hora do dia

Se tem algo que traduz o estilo da Susana, é o amor por uma boa estampa. Ela adora brincar com combinações: coletes florais com saias lisas, saias estampadas com peças neutras, tudo pensado para criar harmonia sem perder a personalidade.

Nos looks diurnos, ela aposta sem medo em cores claras e vibrantes – como azul, vermelho, verde e tons pastel – que, segundo ela, trazem leveza, alegria e combinam perfeitamente com a luz do dia.

Mas para os eventos à noite, ela sugere uma paleta mais sóbria e elegante. Tons como preto e vermelho são clássicos infalíveis. Veja algumas sugestões dadas pela artesã:

Para o dia, ela recomenda:

  • Cores claras e alegres, como vermelho, azul, verde e amarelo
  • Estampas florais ou delicadas, que trazem leveza ao visual
  • Tecidos leves e frescos, ideais para o clima quente e para aproveitar a festa com conforto

Para a noite, as sugestões são:

  • Tons mais fechados e elegantes, como preto, vinho, verde-musgo ou azul-marinho
  • Menos contraste entre as peças, com composições mais sóbrias e harmônicas
  • Tecidos um pouco mais encorpados e sofisticados, como camurça e neosuede

Mesmo com essas sugestões, ela reforça que o mais importante é manter harmonia no conjunto. “De nada adianta uma estampa bonita se o resto do traje não conversar com ela. Cor, tecido e caimento precisam estar em sintonia”.

Longo, curto ou longuete?

Quando o assunto é comprimento da saia, Susana defende que tudo depende do estilo pessoal e da ocasião. O importante é se sentir bem e adaptar o look com bom senso – ela mesma, por exemplo, prefere usar vestidos longos por se sentir mais à vontade, embora saiba dosar brilho e volume conforme o tipo de evento.

Veja algumas dicas para lembrar na hora de escolher seu look:

1. O que levar em conta na hora de escolher o comprimento

  • Conforto: o traje precisa permitir que você aproveite a festa sem incômodos
  • Clima: dias quentes pedem leveza, saias mais curtas e tecidos mais frescos
  • Evento: para desfiles e concursos, o longo é mais tradicional; para curtir com amigos, o curto pode ser mais prático

Na visão da artesã, o local da festa também influencia. Em cidades como São Bento do Sul, o longuete é muito popular – inclusive entre as realezas. Já em Jaraguá do Sul, os trajes costumam ser longos, mas com cortes discretos e suaves.

2. Qual o melhor tecido para um traje típico?

  • Oxford: queridinho da artesã, é um tecido leve, fresco e que praticamente não amassa – ideal para quem quer praticidade sem abrir mão da elegância. É ótimo para vestidos inteiros ou saias de uso mais casual.
  • Camurça, suede e damascado: são tecidos encorpados e estruturados, perfeitos para coletes que moldam bem o corpo e valorizam a silhueta. Além disso, trazem um ar mais sofisticado ao visual, funcionando bem em eventos noturnos ou mais formais.
  • Tecidos fluidos (como voal, oxfordini e tricoline leve): ideais para saias com bastante movimento – aquelas que giram e acompanham a leveza da dança.

Dica de modelagem:

  • Para quem tem quadril largo ou mais busto, coletes bem ajustados ajudam a alongar a silhueta
  • Aventais bem trabalhados nos detalhes também podem valorizar o visual sem pesar no look

Acessórios que transformam o look

Não precisa ter um armário cheio de trajes para curtir vários dias de festa com estilo. Segundo Susana, a criatividade nos acessórios é o que faz a diferença – e um único vestido básico pode render múltiplas combinações.

  • Fitas para colete: trocando apenas a fita da amarração frontal, é possível mudar completamente a identidade do traje. Vale investir em cores contrastantes ou que combinem com outros acessórios do dia.
  • Colares e pingentes personalizados: os colares de veludo com ferragens típicas ou pingentes feitos com tecidos do próprio traje (bordados à mão) trazem charme e originalidade à composição.
  • Tiaras, flores e chapéus: pequenos detalhes no cabelo, como tiaras florais ou chapéus tradicionais, ajudam a compor um visual mais alegre ou elegante – dependendo do momento da festa.
  • Aventais com toque artesanal: variar o avental, seja com renda delicada ou tecido floral leve, também ajuda a dar um ar totalmente novo ao traje.
  • Meias e polainas coloridas: peças simples e baratas que complementam o look e adicionam personalidade. São ótimas para quem quer fugir do básico.

“Um mesmo vestido preto, por exemplo, pode ser base para outros quatro looks diferentes, apenas com essas trocas. O acessório é a cereja do bolo”, resume Susana.

Erros comuns; cuidado!

Mesmo com a popularização dos trajes típicos, ainda é comum ver algumas escolhas que destoam da proposta cultural da Schützenfest. Susana ressalta que não se trata de policiamento visual, mas sim de respeito à tradição — especialmente quando o traje dá direito à meia-entrada ou será usado em momentos mais formais da festa.

Veja os deslizes que mais comprometem o visual típico:

  • Saia curta demais:
    Um dos erros mais recorrentes, segundo Susana, é o uso de saias muito curtas, que descaracterizam o traje e rompem com a estética tradicional. Mesmo versões “modernas” precisam respeitar o comprimento mínimo. O ideal é que a barra fique, no máximo, quatro dedos acima do joelho – como orientam as próprias regras da festa.
  • Blusas cropped que deixam a barriga à mostra:
    Algumas pessoas usam blusinhas curtas inspiradas nos trajes alemães, mas esquecem que lá elas são usadas sob vestidos. Quando aparecem sozinhas, acabam revelando o abdômen, o que foge totalmente do contexto tradicional. A dica de Susana é simples: se a blusa for mais curta, combine com um colete bem estruturado, com corte alto, que cubra o abdômen completamente.
  • Avental no modelo ou comprimento errado:
    Aventais curtos, redondos ou com tecido pesado são um erro comum. Avental de camurça, por exemplo, deve ser evitado. O modelo ideal é o reto, levemente transparente ou de tecido leve como renda, voal, tricoline ou oxfordini. O comprimento também deve acompanhar o da saia, ficando apenas alguns dedos mais curto — nunca na altura da coxa.
  • Meias, polainas e sapatos desproporcionais:
    Embora não haja regras fixas sobre os acessórios das pernas, o equilíbrio é fundamental. Na Alemanha, por exemplo, é comum o uso de meia fina com sapato social. No Brasil, principalmente em Jaraguá, o mais comum é usar meia 3/4 ou polaina com botinha. O importante é manter uma estética coerente com o restante do traje e evitar itens esportivos, como tênis e sneakers.

Esses detalhes fazem diferença no visual, mas também no significado do traje. Quando bem montado, o look típico não só embeleza como homenageia a tradição — e essa é a essência da festa.

>> Leia também: Traje típico na Schützenfest: dicas para não errar e garantir a meia-entrada em 2025

Quer garantir seu traje? Fale direto com a artesã

Se você está em busca de um traje típico autêntico, confortável e feito com carinho, a dica é conhecer o trabalho da Susana à frente do Fridas Arteiras Moda Típica. O ateliê fica na SC-418, km 2, número 16590, em Pirabeiraba, Joinville. Entre em contato pelo WhatsApp: (47) 99968-4361ou Instagram: @fridasarteirasmodatipica.

Como isso impacta sua vida?

Vestir-se para a Schützenfest é participar de uma celebração cultural viva, cheia de histórias, significados e emoções. Com as dicas da Susana, fica mais fácil montar um traje que respeita a tradição, valoriza o conforto e te deixa pronto para curtir cada momento da festa com autenticidade. Porque estilo e cultura podem, sim, andar lado a lado.

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